Está na hora de abandonar o PIB?

O economista Edoardo Campanella discute o mais importante indicador do mundo usado para subsidiar a tomada de decisão da sociedade capitalista, o PIB (Produto Interno Bruto), no artigo “Is it time to abandon GDP?“, publicado no Project-Syndicate.

O enfrentamento dos problemas sociais, econômicos, ambientais e políticos no século XXI passa pela discussão sobre os indicadores usados para subsidiar a tomada de decisão da sociedade. Neste sentido, as crises da economia capitalista estão estreitamente relacionadas ao conceito do PIB e sua própria mensuração.

Desse forma, refletir sobre o uso conjunto de indicadores para analisar e enfrentar os problemas multidimensionais do século XXI é extremamente necessário. Por fim, é possível uma Macroeconomia sem o PIB?

 

A interface biofísica da Economia Brasileira

Por Junior Ruiz Garcia

O Governo e os analistas apresentam uma única solução para a crise brasileira, a retomada do crescimento do econômico. Contudo, segundo o Banco Mundial, o Brasil é a 9ª maior economia do mundo, um PIB (Produto Interno Bruto) superior a R$ 5 trilhões. Superamos países como Canadá, Coreia do Sul, Austrália, Rússia, Espanha e México. Apesar disso, a sociedade brasileira não tem acesso universal a bens e serviços básicos de qualidade, como educação e saúde, saneamento básico, moradia e transporte público, além de um meio ambiente saudável. Nem mesmo erradicamos o analfabetismo ou a pobreza que assola milhões de famílias, embora o país seja visto como o celeiro do mundo na produção de alimentos.

A solução para a crise brasileira está apoiada no pressuposto de que apenas o crescimento é suficiente para o desenvolvimento, entendido como bem-estar econômico obtido a partir do consumo de bens e serviços. Mas para termos crescimento, a produção deve ser maior do que aquela verificada no ano anterior, porque o crescimento é do fluxo de produção. Para realizar a produção, é preciso recursos naturais, e o resultado é o produto econômico, mas também poluição. Não existe produção sem degradação ambiental. Desse modo, para gerar bem-estar, primeiro geramos mal-estar, degradação ambiental. Essa seria a interface biofísica da economia. Mas qual o tamanho da interface biofísica da economia brasileira?

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP em inglês), Global Material flows and Resource Productivity, apresenta parte da interface biofísica da economia global e brasileira para 2010. O fluxo global de materiais era de 70 bilhões de toneladas, distribuído em minerais não-metálicos, metais, combustíveis fósseis e biomassa. No Brasil, esse fluxo alcançou 2,7 bilhões de toneladas. Em 2010, a área desmatada na Amazônia alcançou 7 mil km² (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e as emissões de gases de efeito estufa (GEE) 1,5 bilhão de toneladas (Estimativas Anuais de Emissões de GEE). Estudos realizados pelo Professor Daniel Caixeta de Andrade, Universidade Federal de Uberlândia, indicam que o consumo material em 1970 era 6,4 toneladas por brasileiro, em 2008 15,4 toneladas, aumento de 138%. A intensidade material da economia brasileira era 3,24 kg/US$ em 1970, em 2008 3,45 kg/US$.

A tecnologia pode auxiliar na intensidade material e na degradação ambiental, embora a realidade mostre outro cenário. Contudo, os ganhos de eficiência têm um limite, ou podemos produzir sem recursos naturais e sem gerar poluição?

Assim, o crescimento econômico aumenta o requerimento material e a poluição, afetando negativamente a qualidade de vida das pessoas. Talvez o mal-estar gerado seja maior que o bem-estar econômico. Além disso, após uma década de aumento no consumo de bens e serviços econômicos (2003-2013), talvez a sociedade brasileira esteja saturada. No Brasil, mais de 98% das residências têm fogão, televisão e geladeira; no período foram vendidos 527 milhões de celulares; entre 2008 e 2014 foram vendidos mais de 90 milhões de televisores; a frota de veículos automotores alcançou 82 milhões de unidades em 2014. Agora o crescimento na produção desses bens é mais difícil, porque o que buscamos é o crescimento do fluxo de produção (PIB) e não do estoque de bens econômicos.

Por que gerar mal-estar para obter mais crescimento na produção desses bens enquanto o déficit habitacional brasileiro alcança 6 milhões; 18% dos brasileiros não são atendidos com abastecimento de água tratada; 42% não têm acesso à coleta de esgoto (60% não é tratado); mais de 10 milhões de brasileiros são analfabetos? O investimento no aumento da provisão desses bens e serviços não proporcionaria uma real melhoria na qualidade de vida dos brasileiros? A produção desses bens e serviços não geraria empregos e renda? Mas por que não fazemos isso? Talvez seja, porque ignoramos a interface biofísica da economia e, com isso, ignoramos os crescentes custos ambientais e sociais do crescimento econômico.

Junior Ruiz Garcia, professor do Departamento de Economia da UFPR e doutor em Desenvolvimento Econômico Espaço e Meio Ambiente pelo Instituto de Economia da Unicamp. E-mail: jrgarcia@ufpr.br

“A interface biofísica da Economia Brasileira, artigo de Junior Ruiz Garcia,” in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/10/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/10/24/a-interface-biofisica-da-economia-brasileira-artigo-de-junior-ruiz-garcia/.

O dinheiro e as crises econômicas, sociais e ambientais

Por Ranulfo Paiva Sobrinho e Junior Ruiz Garcia

A discussão sobre o papel da dimensão ambiental na análise econômica tem sido marginalizada, reduzindo o poder explicativo dos modelos teóricos frente aos problemas socioambientais no século XXI. Um exemplo é a ausência de uma discussão a respeito da relação entre a criação do dinheiro e as crises econômica, social e ambiental. Na abordagem convencional, a criação do dinheiro está apenas na discussão sobre a inflação, porque a economia real não seria afetada pela variação na quantidade de dinheiro.

A criação de dinheiro no atual sistema monetário internacional pode contribuir para as crises econômicas, sociais e ambientais. Quando um país possui déficit em conta corrente, geralmente, este é financiado pelos recursos da conta financeira. Parte desses recursos são alocados no mercado monetário, possibilitando que os bancos aumentem a oferta do crédito para os agentes. Esse fluxo aumenta conforme mais recursos entram no mercado monetário e os agentes estejam em condições de se endividar, aumentando o consumo, investimento e a especulação nos mercados.

Quando os agentes atingem níveis elevados de endividamento, a ponto de atrasarem ou não pagarem os juros devidos, os recursos do mercado monetário são alocados para países onde os agentes possam se endividar e que atendam as condições para a expansão do crédito. Com a redução dos recursos financeiros, os bancos reduzem a oferta de crédito e podem elevar a taxa de juros. A redução do crédito prejudica as empresas que necessitam de capital de giro e as famílias que financiam seu consumo. Essa dinâmica pode desencadear a crise econômica, com sérias consequências sociais e ambientais, como a que o Brasil está vivendo.

Durante a expansão do crédito, dependendo dos setores que obtêm os empréstimos, o resultado pode elevar a pressão sobre recursos ambientais, como a construção de novas termoelétricas, o avanço da fronteira agrícola e o desmatamento. Essa pressão serve para atender uma demanda momentânea, gerada pela expansão do crédito sem nenhuma sustentação na renda. Quando ocorre uma redução no crédito ou o nível de endividamento compromete o orçamento dos agentes, temos a redução do consumo e da produção. Porém, a degradação ambiental é irreversível e a sociedade sofrerá com a perda de importantes recursos ambientais e aumento dos conflitos socioambientais. Veja o caso da crise hídrica em São Paulo.

Um elemento central dos problemas econômicos, socioambientais é a forma como a moeda é criada pelos bancos, que a criam a partir do momento que seu cliente se endivida. Infelizmente a sociedade desconhece essa dinâmica e sua interface com as crises, e somente uma minoria sabe responder a questões como: o que é dinheiro? Existem outros tipos de dinheiro que podem ser criados sem a necessidade dos bancos? É possível a comercialização sem a intermediação do dinheiro de um país? Esse desconhecimento se estende aos políticos, economistas, administradores, ambientalistas, empresários, entre outros. Essa situação impede que sejam adotadas medidas mais adequadas para evitar as crises e seus desdobramentos sociais e ambientais.

Parte do problema se deve ao fato de que o sistema de ensino não está preparando o cidadão para essa nova realidade. Nem as universidades discutem esse processo, quanto mais a relação entre a criação do dinheiro e as crises. Neste contexto, a plataforma de ensino Sustainabily School* procura preencher essa lacuna, discutindo em linguagem acessível a conexão entre dinheiro e as crises, assim como, possíveis soluções. Recentemente, lançou-se o livro ‘Nuevo Dinero para Sostenibilidad’**, que apresenta uma reflexão sobre este tema.

Se realmente desejamos enfrentar os problemas que afetam nossas vidas e das futuras gerações no século XXI, é preciso conhecer mais sobre a relação entre a criação do dinheiro e o desencadeamento das crises, porque sem mudar a forma como o dinheiro é criado, é tapar o sol com a peneira.

* http://www.sustainability.school

** Para adquiri-lo visite: http://sustainability.school/es/dinero/. A versão em português está em desenvolvimento.

Ranulfo Paiva Sobrinho, Doutor em Desenvolvimento Econômica pelo Instituto de Economia da Unicamp, ranulfo17@gmail.com

Junior Ruiz Garcia, professor do Departamento de Economia da UFPR, jrgarcia@ufpr.br

Publicado na Gazeta do Povo, 12/10/2016, Caderno de Opinião.

Seria o Deutsche Bank o estopim para mais uma crise financeira mundial?

Por Ranulfo Paiva Sobrinho e Junior Ruiz

Estamos próximos a mais um desdobramento da crise financeira mundial iniciada em 2007. Desta vez, um dos potenciais estopins é o banco europeu, Deutsche Bank (Banco Alemão). A instituição financeira está sob o foco de atenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) que declarou em seu relatório, em junho de 2016, que o Deutsche Bank pode ser um forte desencadeador de riscos sistêmicos, devido à sua alta exposição a derivativos (mais de 40 trilhões de dólares), redução no capital próprio e elevadas multas (14 bilhões de dólares) que deve pagar à justiça dos EUA devido à sua participação no desencadeamento da crise financeira em 2007. Desse modo, a eventual quebra do Deutsche Bank pode afetar negativamente outras instituições financeiras em todo o mundo. É mais ou menos como o efeito dominó, derruba uma peça as demais caem também. Só que neste caso, há os bancos centrais para socorrer tais instituições, muitas vezes às custas do sacrifício do contribuinte.

Ao invés de analisar as potenciais consequências negativas que surgirão caso ocorra mais uma crise financeira mundial, discutimos importantes questões pouco conhecidas, mas que afetam de maneira significativa a sociedade, sobre o papel do dinheiro na economia capitalista no século XXI. Mais especificamente, discutimos o processo de criação do dinheiro no sistema bancário. Esse tema é importante porque a maioria dos agentes do setor público e privado desconhece a relação que existe entre instituições financeiras, como o Deutsche Bank, e o processo de criação do dinheiro em seus países, seja diretamente seja indiretamente.

É importante que as pessoas conheçam a relação entre a criação do dinheiro e as instituições financeiras, pois assim, elas poderão enxergar as principais causas das crises econômicas no século XXI que afetam negativamente a vida de milhões de cidadãos e cidadãs tanto no Brasil como em outros países. Assim, o conhecimento sobre esse processo pode aumentar as chances de surgirem propostas mais realistas para enfrentar os problemas que afligem a sociedade no século XXI, as frequentes crises econômico-financeiras, a crise ambiental e social, manifestada no aumento do desemprego, da desigualdade social e da pobreza, entre outros. Inclusive, esse conhecimento pode auxiliar para derrubar supostos consensos criados artificialmente na sociedade.

Parte da reflexão apresentada a seguir, foram extraídos do ebookNuevo dinero para la sostenibilidad’, o qual explica com mais detalhes o processo de criação do dinheiro no atual sistema monetário internacional, assim como, apresenta novas maneiras de criar dinheiro sem ser por endividamento, que é modelo vigente na economia do século XXI.

O Dinheiro no Atual Sistema Monetário Internacional

No atual sistema monetário internacional, conhecido como padrão dólar, somente o banco central pode emitir o dinheiro através de instituição autorizada para imprimir o papel-moeda e cunhar as moedas metálicas. No Brasil isso é feito pela Casa da Moeda. O efetivo (papel-moeda e moedas metálicas) junto com o depósito bancário e reservas do banco central são considerados o dinheiro no atual sistema monetário internacional. A maioria das pessoas chamam de dinheiro somente o efetivo e desconhecem como ele é criado, assim como, a forma como são criados o depósito bancário e a reserva do banco central. Também desconhecem que a quitação de obrigações ocorre na maioria das vezes sem necessidade do dinheiro físico, mas, sim por meio de compensação de crédito, o dinheiro “eletrônico” ou “digital”. Por exemplo, o banco A deve R$ 100 milhões ao banco B que deve R$ 95 milhões ao banco A. Assim, somente R$ 5 milhões são transferidos do banco A para o banco B. Se o banco A não tiver os R$ 5 milhões para transferir, ele pode emprestar no mercado monetário, caso contrário, corre o risco de falir se não tiver os recursos para financiar o montante devido.

Efetivo, Reserva Bancária e Depósito Bancário

O efetivo somente pode ser emitido pelo banco central. Tanto as reservas do banco central, assim como os depósitos bancários, ambos são criados quando, respectivamente, o banco central e os demais bancos compram algo. Os bancos centrais criam as reservas toda vez que compram algo, isto é, a partir do nada. Conforme informa o banco central dos EUA*, o FED (Federal Reserve), toda vez que o banco central compra algo ele está criando dinheiro (reserva bancária). Esta reserva pode, se necessário, ser convertida em efetivo. Mas o que compra o banco central? Geralmente compra títulos de dívidas governamentais diretamente dos ‘dealers’ primários, moedas emitidas pelos bancos centrais de outros países.

Para ver como é criado o depósito bancário, antes é preciso esclarecer um detalhe importante com relação ao termo depósito bancário. Esse termo é confuso, pois, significa ao mesmo tempo o depósito propriamente dito quando um cliente deposita efetivo em sua conta bancária, mas, por outro lado, representa a aquisição de algo pelo banco (o contrato de dívida de um cliente) sem que este tenha a quantia correspondente em efetivo.

Conforme informa o banco central da Inglaterra, quando um cliente obtém um empréstimo bancário para comprar uma casa, por exemplo, R$ 200.000, o banco comercial simplesmente insere na conta de seu cliente um dígito em quantidade correspondente ao empréstimo. Ao fazer isso, o banco está criando o depósito bancário. Esse montante pode ser transferido diretamente para a conta bancária do vendedor em outro banco. As transações entre bancos são digitais e passam por compensação de crédito. Se um dos bancos não possui efetivo para saldar o montante que resulta após ter feito a compensação de crédito, ele recorre ao mercado monetário para obtê-lo. Para isso ele precisa ter algo para vender a fim de obter o efetivo. Geralmente, títulos de dívidas governamentais são, relativamente, fáceis de vender no mercado. Dessa forma, o endividamento dos governos é insumo precioso para o negócio dos bancos. Quais são esses bancos? Principalmente, os ‘dealers’ primários, como o Deutsche Bank. Mais detalhes são apresentados ao longo do texto. Quando estes bancos compram os títulos de dívidas do governo de um país eles estão criando depósitos bancários.

Mercado Monetário

Cabe destacar que o mercado monetário é subconjunto do mercado financeiro que envolve mercado de ações, derivativos, de títulos de dívida de longo prazo, entre outros. O mercado monetário reúne instituições (fundos de pensões, fundos mútuos, bancos, governos, entre outros) que possuem e estão dispostas a emprestar efetivo por curtíssimos períodos de tempo, um dia ou semanas, mas sempre menor que um ano, a bancos, governos e grandes empresas. Para que a venda ocorra, os bancos, por exemplo, precisam ter ativos financeiros confiáveis e lucrativos para vender às instituições com excesso de dinheiro em caixa. Um desses ativos financeiros é o título de dívida de governos como o dos EUA, Japão, Brasil, Alemanha, França, China, entre outros.

Outro aspecto interessante do capitalismo financeiro, é o fato de que a negociação de ativos no mercado financeiro não está restrita às instituições financeiras, mas há um movimento crescente da participação de instituição não-financeiras ou não-bancárias. No capitalismo financeiro, as empresas não-bancárias ou não-financeiras têm usado seu “excesso” de caixa para aplicar em ativos financeiros. O relatório da UNCTAD (United Nations Conference on Trade and Development), publicado em setembro de 2016, revelou que o fenômeno da “financeirização” das empresas não-bancárias no mundo já está tendo efeitos negativos em países desenvolvidos. O mesmo fenômeno já está em curso no Brasil, e o relatório aponta que esteja promovendo uma redução dos investimentos produtivos em função da maior aplicação dos recursos pelas empresas não-bancárias no mercado financeiro. Esse é um elemento novo, que pode agravar ainda mais uma eventual crise de liquidez, porque afeta diretamente as empresas, acelerando os efeitos da crise financeira na chamada Economia Real. Agora vamos falar um pouco dos ‘dealers’ primários.

Dealers’ Primários

O Deutsche Bank, assim como o banco falido Lehman Brothers, pertence a um grupo de instituições financeiras conhecidas como ‘dealers’ primários, os quais participam no processo de criação do dinheiro conjuntamente com o governo nacional e o banco central. Para saber quais são os ‘dealers’ primários que atuam no Brasil consulte a página web do Ministério da Fazenda. Neste processo, os ‘dealers’ primários têm o privilégio de comprar em primeira mão os títulos de dívida emitidos pelo governo de um país. Quando estes bancos compram os títulos de dívidas do governo de um país eles estão criando depósitos bancários. Os títulos de dívidas representam a dívida de um governo perante alguém. Quando o governo de um país emite um título de dívida, isto é, se endivida, geralmente se compromete a pagar o montante emprestado acrescido de juros em porcentuais maiores que zero. Há exceções, como o que está ocorrendo nas principais economias mundiais, isto é, os governos estão se endividando, mas pagando juros negativos.

Os ‘dealers’ primários, como o Deutsche Bank, compram os títulos de dívidas governamentais para, além de lucrar com os juros, negociá-los no mercado monetário em períodos que não possui recursos financeiros, como efetivo, suficiente para financiar as suas atividades. Isso ocorre normalmente em momentos de expansão econômica, quando tais bancos expandem o crédito sem ter necessariamente o efetivo para respaldá-lo. Tais momentos de expansão econômica ocorrem quando entram recursos financeiros internacionais no sistema bancário de um país e que parte destes estejam disponíveis para empréstimos de curto prazo no mercado monetário.

Se os bancos não possuem ativos financeiros facilmente comercializáveis no mercado monetário, há o risco de quebra, por falta de liquidez. Assim, quando há falta de liquidez no sistema bancário, entra em cena o emprestador de última instância, os governos e bancos centrais, na tentativa de evitar o efeito dominó no sistema financeiro. Dinâmica similar aconteceu na crise de 2008, quando o Lehman Brothers não tinha ativos financeiros que fossem confiáveis e facilmente comercializáveis no mercado monetário, ou seja, o banco não tinha ativos líquidos, facilmente convertíveis em dinheiro. Os ativos que possuía não eram em sua maioria os títulos de dívidas do governo dos EUA, mas sim de seus clientes. Durante décadas os títulos de dívida dos clientes eram confiáveis pois eles pagavam em dia os juros das dívidas. No momento que o nível de endividamento dos clientes aumentou a ponto de atrasarem ou não pagarem os juros das multas, tais títulos deixaram de ser confiáveis e não comercializáveis no mercado monetário. Naquele momento o governo dos EUA deixou o banco quebrar, mas em seguida, entrou fortemente para salvar o seu sistema financeiro, para evitar o efeito dominó.

Os ‘dealers’ primários formam uma rede global muito complexa, pois, cada instituição pode participar no processo de criação do dinheiro em diferentes países. O Deutsche Bank, por exemplo, atua como ‘dealer’ primário em vários países, juntamente com outras instituições financeiras. A interação dessas instituições financeiras é representada na figura 1.

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Figura 1 – Conexões no Sistema Financeiro Global do Deutsche Bank

Fonte: preparado por Ranulfo Paiva Sobrinho. Clique na imagem para ampliar

Nota: acesse a versão interativa da figura.

Esta é uma pequena amostra para ilustrar a complexidade de conexões entre governos e bancos no processo de criação do dinheiro. Essa é a face do capitalismo financeiro. O resultado dessa complexa redes de conexões é o aumento da fragilidade do sistema financeiro, potencializando o efeito dominó, que juntamente com a financeirização das empresas não-bancárias acelerar o espraiamento da crise financeira para a Economia Real.

No atual processo de criação do dinheiro instituições financeiras, como o Deutsche Bank, apresentam risco de quebrar e de causar um efeito dominó que afetaria negativamente a vida de milhões ou mesmo bilhões de famílias no mundo. Outras instituições financeiras também são consideradas com elevado risco sistêmico e são elas que participam no processo de criação do dinheiro. Existe alternativa para reduzir a fragilidade do sistema? Independente da resposta, a sociedade está debatendo esse problema? Não está na hora de mudar a forma como o dinheiro é criado? Não seria melhor se o dinheiro fosse criado para atender as necessidades das pessoas; para propiciar um ambiente mais seguro para as empresas desenvolverem seus negócios e gerarem empregos; para que os governos não precisem se endividar com tais instituições financeiras toda vez que precisarem de mais dinheiro; para resolver os problemas ambientais; entre outros.

Existe um debate, mas este ainda é marginal. Há iniciativas em curso em vários países neste sentido. O livro, ‘Nuevo Dinero para la Sostenibilidad, apresenta esse debate e as iniciativas em curso no mundo, assim como o funcionamento do processo de criação do dinheiro. Tentar solucionar os problemas econômicos, sociais e ambientais sem mudar a forma como o dinheiro é criado é tentar tapar o sol com a peneira.

Ranulfo Paiva Sobrinho

PhD em Economia

Co-Fundador de Sustainability School

Membro do Grupo de Estudos em MacroEconomia Ecológica

Junior Ruiz Garcia

PhD em Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente

Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná

Membro do Grupo de Estudos em MacroEconomia Ecológica

Publicado em EcoDebate, 11/10/2016

“Seria o Deutsche Bank o estopim para mais uma crise financeira mundial? por Ranulfo Paiva Sobrinho e Junior Ruiz Garcia,” in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/10/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/10/11/seria-o-deutsche-bank-o-estopim-para-mais-uma-crise-financeira-mundial-por-ranulfo-paiva-sobrinho-e-junior-ruiz-garcia/.

Uma breve introdução ao sistema monetário internacional ‘padrão dólar’

Por Ranulfo Paiva Sobrinho

O sistema monetário internacional padrão dólar substituiu o extinto sistema Bretton Woods a partir de 1973. Esse sistema é caracterizado por falhas estruturais que vem desencadeando períodos de crescimento econômico e crises econômicas tanto em países isoladamente quanto em conjunto, como é o caso da crise desencadeada nos EUA em 2007 que vem afetando negativamente várias nações.

Entender essas falhas é condição necessária para buscarmos soluções para os problemas socioecológicos que ocorrem tanto em escalas locais (desemprego, desigualdade social, perda de biodiversidade e ecossistemas) assim como globais (migração humana, mudanças climáticas, crises financeiras internacionais).

Basicamente a principal falha do padrão dólar está relacionada com a composição dos ativos de reservas internacionais, a qual mudou drasticamente após o fim do Acordo de Bretton Woods. De 1945 até 1973, os principais ativos de reservas eram em ordem decrescente, ouro, papel-moeda convertível em ouro, SDRs (Special Drawing Rights).

Durante esse período, o dólar já era a principal divisa usada em transações internacionais e o fato do dólar ser lastreado (35 dólares para uma onça de ouro) limitava a expansão do crédito em um país, pois, conforme explica Duncan (2005) países com déficit de conta corrente deviam, quando seus parceiros comerciais exigissem, remeter quantias do ouro para o exterior. Com a saída do ouro do sistema financeiro, os agentes autorizados a expandir crédito (bancos, por exemplo) reduziam a disponibilidade de crédito no país, causando períodos de recessão.

Por outro lado, o país receptor do ouro, passava por período de expansão do crédito e, consequentemente, crescimento econômico e dependendo dos setores que os bancos concediam crédito, bolhas econômicas. Durante esse período de aquecimento da economia, a inflação tornava mais vantajoso à importação de produtos, fazendo que o país incorresse em déficits comerciais o que levava a saída do ouro do país, reduzindo a expansão do crédito e levando a recessão econômica. Novamente o país receptor do ouro, passava por processo descrito anteriormente.

Esse processo, descrito de forma muito simplificada, impedia que os países incorressem em déficits, ou, superávits crescentes ao longo do tempo em sua conta corrente.

Com o fim do Acordo de Bretton Woods a composição dos ativos de reservas muda consideravelmente e o processo de expansão do crédito pelo sistema financeiro aumenta em quantidades sem precedentes causando períodos de crescimento econômico associado com expansão de bolhas econômicas que inevitavelmente estouram.

Os principais ativos de reservas passam a ser: (a) títulos de dívidas governamentais; (b) títulos de dívidas privados emitidos por corporações; (c) derivativos; (d) ações de empresas negociadas em bolsas de valores, entre outros.

Como se pode notar, no padrão dólar os ativos de reservas praticamente são criados pelos seres humanos, ao contrário do ouro. Consequentemente, os países podem financiar os seus déficits de conta corrente com a venda de tais ativos desde que os bancos centrais dos outros países o aceitem.

Esse é o caso dos EUA que sendo o país emissor da principal moeda no atual sistema monetário internacional, vêm desde a década de 1980 financiando total ou parcialmente os déficits de sua conta corrente (o maior do mundo) com a venda de ativos de reservas como títulos do governo federal dos EUA, de agências respaldadas pelo governo norte-americano como a Fannie Mae, ações de empresas negociadas em bolsas de valores (Figura 1).

figura_1

O padrão espelho observado na Figura 1 é observado em outras nações, isto é, tanto pelos países que como os EUA financiam os déficits de conta corrente através da conta financeira, assim como pelos países que possuem superávit de conta corrente e precisam reciclar os recursos financeiros entrantes por esta através da ‘exportação’ dos mesmos via conta financeira, ou, compra de ativos de reservas como é o caso da China. Focamos neste último caso para explicar um processo chave para entender como esse comportamento do balanço de pagamentos afeta a expansão do crédito e de bolhas econômicas em um país.

Conforme explica Duncan (2012), quando as empresas residentes nos EUA pagam pelos produtos importados da China, bilhões de dólares são transferidos dos EUA para a China. O banco central da República Popular da China (BCRPC) a fim de evitar que o iuan perda sua competitividade e assegurar que a China continue exportando para os EUA, compra os dólares a uma taxa de câmbio desejada. Ao fazer isso ocorrem dois processos importantes que são detalhados em Paiva Sobrinho e Romeiro (2016a), e, brevemente descrito a seguir.

Como se sabe durante o sistema monetário internacional padrão dólar, o FED cria dólares toda vez que compra algo (FED 1982) e da mesma forma os demais bancos centrais criam sua moeda ao comprar ativos financeiros de seu interesse. Quando o banco central da China (BCRPC) compra os dólares que foram enviados pelas empresas residentes nos EUA ele está criando iuans, os quais serão transferidos para o sistema bancário da China e destinados às empresas que exportaram para os EUA.

Esses iuans ao entrarem no sistema bancário chinês, dependendo no nível de endividamento dos setores que compõe a economia chinesa, podem ou não contribuir para que os bancos expandam o crédito e dependendo para quais setores esse crédito é expandido pode desencadear tanto o crescimento econômico quanto bolhas econômicas. Mais detalhes sobre como esse processo ocorre consultar Paiva Sobrinho e Romeiro (2016a, b).

Por outro lado, os dólares adquiridos pelo BCRPC são investidos nos EUA seja através da compra de títulos de dívida do governo federal, de agências respaldadas pelo governo norte-americano, ações negociadas em bolsas de valores, repos (acordo de venda e recompra, do inglês, sale and repurchase agreement), entre outros. Toda vez que o BCRPC, ou qualquer outro banco central, compra algum ativo financeiro em outro país ele está adquirindo ativos de reservas e isso é computado com sinal negativo no balanço de pagamentos (Figura 2).

Esses dólares entram no sistema bancário norte-americano e dependendo do nível de endividamento dos setores que compõe a economia norte-americana podem contribuir para que os bancos expandam crédito tanto para atividades que contribuem para o crescimento econômico assim como para as que visam à especulação de ativos seja no mercado mobiliário ou imobiliário, desencadeando assim bolhas econômicas que inevitavelmente estouram.

O processo de expansão do crédito e sua relação com o crescimento econômico e bolhas econômicas é analisado através de um arcabouço analítico multinível descrito em Paiva Sobrinho e Romeiro (2016b).

Bilhões de dólares

figura_2

O processo descrito é válido para outras nações, seja as que possuem déficit de conta corrente assim como as que possuem superávit da referida conta, como o Japão.

Dessa forma, o padrão dólar propiciou um período de transferências de recursos financeiros transnacionais sem precedentes na história da humanidade. Vários fatores contribuíram para esse fenômeno, sendo que os principais são citados a seguir:

1. Adoção do sistema de ‘primary dealers’ em 1960 nos USA, o qual é adotado atualmente pela maioria dos países. Esse sistema é composto por instituições financeiras conhecidas como ‘primary dealers’ que desempenham papel importante no processo de criação do dinheiro em conjunto com os bancos centrais e governos. Este sistema possibilitou aos ‘primary dealers’ terem acesso a um dos ativos financeiro de maior liquidez (títulos de dívidas do governo de um país) formando assim o mercado global de títulos de dívidas governamentais e privados que passa a ser altamente conectado a partir de 1979 com a implantação do sistema SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication). Os problemas relacionados a este sistema são descritos em Paiva Sobrinho e Romeiro (2016a).

2. Alta interconectividade de instituições financeiras bancárias através da SWIFT, a qual possibilita o fluxo internacional de recursos financeiros em quantidades e velocidades jamais presenciados na história da humanidade. O SWIFT também serve meio de coerção contra países ao suspendê-los do sistema (Bloomberg, 2012; 2014).

3. Remoção das restrições de controle de entrada de capital, o que se concluiu em 1990, instituindo a globalização dos mercados financeiros.

4. Globalização de produtos e serviços feitos com mão-de-obra barata, principalmente de países asiáticos, o que levou a significativa redução dos custos de produção.

5. Emprego acentuado pelas instituições bancárias norte-americanas e europeias, a partir da década de 1980, da prática da securitização como meio para obter o ‘cash’ para financiar os empréstimos de longo prazo concedidos aos seus clientes.

6. Desregulamentação do mercado de derivativos em 2000.

Esse conjunto de fatores possibilitou a formação de um sistema complexo de fluxos financeiros, de produtos e serviços entre países no mundo todo gerando consequências tanto positivas quanto negativas para a humanidade. O problema é que as consequências negativas tanto sociais quanto ambientais estão superando as consequências positivas.

Existem outros detalhes relacionados ao sistema monetário internacional padrão dólar que são descritos com mais detalhes em Paiva Sobrinho e Romeiro (2016a, b) e que serão apresentados futuramente em ‘post’.

Entre esses detalhes, um que considero muito importante está relacionado ao processo de criação do dinheiro e do crédito pelas instituições financeiras. Esse processo é desconhecido por muitos políticos e economistas (Paiva Sobrinho, 2015) e merece ser compreendido a fim de criarmos soluções para os problemas socioecológicos que afetam a humanidade nesta época geológica, o Antropoceno.

Espero que este breve ‘post’ possa ter contribuído para iniciar o entendimento da dinâmica e funcionamento do atual sistema monetário internacional, padrão dólar. Espero em breve apresentar um ‘post’ mostrando como essa dinâmica do padrão dólar contribuiu para o desencadeamento da atual crise econômica que o Brasil está vivenciando.

Referências

Bloomberg, 2012. http://www.bloomberg.com/news/articles/2012-03-15/swift-will-halt-financial-messaging-for-sanctioned-iranian-banks.

Bloomberg, 2014. http://www.bloomberg.com/bw/articles/2014-09-01/banning-russia-from-the-swift-payment-system-would-really-hurt.

Duncan, R. 2005. The dollar crisis. Causes, consequences, cures. John Wiley & Sons.

Duncan, R. 2012. The New Depression: the breakdown of the paper money economy. John Wiley & Sons Singapore.

FED. 1982. Putting it simply. Federal Reserve of Boston.

Paiva Sobrinho, R. 2015. Creación de dinero y sus consecuencias para la sociedad. http://sustainability.school/es/creacion-de-dinero/

Paiva Sobrinho, R.; Romeiro, A.R. 2016a. Understanding the dollar standard in order to improve ecological macroeconomic theory. (Submetido)

Paiva Sobrinho, R.; Romeiro, A.R. 2016b. An analytical framework to assess economies in the dollar standard. (Submetido)

Ranulfo Paiva Sobrinho
Pesquisador colaborador no IE-Unicamp
PhD Economia, MSc Engenharia e bacharel em Ecologia

 

Publicado em EcoDebate, 01/04/2016

“Uma breve introdução ao sistema monetário internacional ‘padrão dólar’, artigo de Ranulfo Paiva Sobrinho,” in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 1/04/2016,http://www.ecodebate.com.br/2016/04/01/uma-breve-introducao-ao-sistema-monetario-internacional-padrao-dolar-artigo-de-ranulfo-paiva-sobrinho/.

Paulo Haddad e o ensino em Economia

Por Junior Garcia

No dia 15 de março de 2016, o Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Econômico da Universidade Federal do Paraná (PPGDE/UFPR) recebeu o Professor Paulo Roberto Haddad, economista, professor Emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex-Ministro da Fazenda e do Planejamento do Governo Itamar Franco[1]. O Professor proferiu a seguinte Aula Magna para os alunos e professores do PPGDE/UFPR, “Tempo e espaço no pensamento econômico: Alfred Marshall e Walter Isard”.

Na aula magna o Professor destacou a importância do tempo e do espaço na análise econômica a partir de suas experiências profissionais. No estudo econômico, e mesmo na formulação e execução de políticas públicas, é importante considerar a dimensão tempo, que pode ser o tempo histórico ou o tempo analítico. O primeiro diz respeito aos processos históricos, os quais não podem ser ignorados na análise econômica. O segundo refere-se ao tempo construído, em especial a construção analítica do tempo para a prática da modelagem econômica e suas limitações. Neste aspecto, o Professor Paulo Haddad destacou o uso inadequado do tempo analítico na formulação e na implementação de políticas econômicas.

Outro tema tratado foi a Economia Espacial, ou seja, o papel do espaço no Pensamento Econômico Moderno e na análise econômica. Neste sentido, o Professor apresentou as concepções de espaço – contínuo físico-métrico, uniforme-abstrato, diversificado-relacional e diversificado-estilizado – e suas implicações a partir da discussão do modelo de desenvolvimento espacial endógeno.

Por fim, a supressa de sua aula magna foi a discussão sobre o papel da proposta apresentada pela Economia Ecológica na análise econômica. A discussão destacou a importância dos serviços ecossistêmicos e/ou ambientais e o tratamento do Sistema Econômico como um subsistema do ecossistema na análise econômica. Para ilustrar esse debate, o Professor destacou o estudo conduzido pela FEA/USP sobre os impactos socioeconômicos das mudanças climáticas. Por fim, o Professor afirmou que devemos adotar no ensino em Economia a proposta da Economia Ecológica, substituindo o tradicional modelo do “fluxo circular da renda e do produto” pelo modelo que considera o sistema econômico como um subsistema do ecossistema e suas implicações. O sistema econômico tradicional não representa a realidade, porque o que existe é um Subsistema SocioEconômico e Ecológico. Neste aspecto, não podemos desconsiderar as restrições impostas pelo ecossistema à dinâmica econômica e suas implicações.

[1] Segue um resumo da sua biografia: professor Paulo R. Haddad é economista, com especialização em Planejamento Econômico no Instituto de Estudos Sociais de Haia-Holanda, Professor Emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, Primeiro Secretário-Executivo da Associação Nacional de Centros de Pós-graduação em Economia – ANPEC (1971/1973), ex-Ministro da Fazenda e do Planejamento da República Federativa do Brasil (1992-1993), ex-Secretário da Fazenda e do Planejamento do Estado de Minas Gerais, Consultor do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do PNUD, da ECLA e outras organizações públicas e privadas, nacionais e internacionais, Presidente da Phorum Consultoria e Pesquisas em Economia Ltda. e Diretor da AERI – Análise Econômica Regional e Internacional Ltda.. Publicou diversos livros e artigos em jornais especializados no Brasil e no Exterior.

Uma pequena nota sobre a Política Econômica do Japão

Há muito tempo leio ou escuto sobre a baixa inflação ou mesmo deflação no Japão, enquanto o resto do mundo vive (viveu ou está vivendo) um cenário diferente. Neste sentido, tenho uma dúvida, não seria esse um sinal de que não há mais espaço para o crescimento da economia japonesa já que a sua população possui bens econômicos suficientes e o mundo está literalmente inundado de bens econômicos? Assim, o uso de tradicionais instrumentos econômicos não apenas agravaria algo inevitável para o sistema econômico de países desenvolvidos, por exemplo o Japão, situações de baixo crescimento, crescimento zero ou mesmo decrescimento do produto da economia?